O jornalismo critica o jabá dos médicos. Por que não criticar o do próprio jornalismo?

Quarta-feira, 27 Agosto 2008

Boa parte dos supostos jornalistas que aqui comentam* assume uma postura de transformar o jabá em um afago inconseqüente, um crime sem vítima.

Alguns acreditam na blindagem moral do jornalista e defendem que a maioria de nós trabalha para fazer boas reportagens (“isentas e verdadeiras”, grifo aqui um comentário) mesmo quando temos a coragem de viajar bancados por quem promove o produto. Como já disse, nessa situação nós, jornalistas, e as empresas de comunicação que representamos, passamos a fazer parte da folha de custos deste mesmo produto. Isenção? Verdade?

Mas isso não basta para convencer alguns. Um leitor deste blog, no entanto, dá excelentes argumentos para mostrar que esta defesa frágil que insistem fazer do hábito da mendicância tem raízes apenas no corporativismo.

Pois vejamos o que acontece quando o rótulo de “jabazeiro” cai sobre outro profissional, alguém distante da profissão dos “bardos”:

Portal Exame, “Mais marketing do que saúde”

FSP, “EUA vão proibir laboratórios de dar brindes a médicos”

Época, “Brindes encarecem os remédios”

FSP, “Médicos denunciam favores de laboratórios”

Leiam. Para descrever a situação do “jabá” na medicina, jornalistas como nós utilizam, corretamente, termos como “promiscuidade”, “conflito de interesse”, “vantagens especiais”, “do ponto de vista ético, deplorável”. Os laboratórios não são poupados de críticas. Nem os médicos.

Começa a parecer mais claro, não?

* Principalmente a primeiríssima leva, a horda que chegou para ironizar o propósito deste blog, mas que lentamente foi suplantada por aqueles que realmente se interessam pela discussão.


Exemplo bem-acabado

Segunda-feira, 25 Agosto 2008

Ele se apresenta como jornalista e confessa: adora uma “lembrancinha” típica de entrevistas coletivas (chega a resenhá-las e fotografá-las, quase atingindo o requinte de lhes dar nota).

Mas, nos últimos dias, e instado por um comentário neste blog, passou a fazer crítica do trabalho das assessorias de imprensa (ele já vinha postando, com alguma regularidade, releases que considera “sem noção“).

Também freqüentou a caixa de comentários deste espaço.

Ele é o Fui na Coletiva.

Algo a comentar?


Ganhe um passeio e escreva uma matéria

Sexta-Feira, 22 Agosto 2008

Aos sanguessugas que se recusam a compreender que o maior patrimônio do jornalista é sua credibilidade, esfrego essa peça de sem-vergonhice na cara.

Aos consumidores de notícia, um alerta: veja como funciona o “agenda setting”, ou seja, a imposição de reportagens sem gancho, sentido ou utilidade nos veículos que você lê, assiste ou ouve em troca de reles passeios de jornalistas a bordo de carrões.

No nosso espisódio de hoje, a Flexpedition Chevrolet.

Montadora leva jornalistas para passear em troca de matérias

Montadora leva jornalistas para passear em troca de matérias

Como você bem pôde ler acima, num destaque do site oficial do “projeto”, o patrocinador garante “destacar, em reportagens (TV’s, rádios, Internet, jornais e revistas) e em eventos, O Que o Brasil Tem de Melhor, em turismo, esportes e cultura (indicado pelos jornalistas de cada região) e visto pelos jornalistas locais. Eles serão partícipes da jornada e eles próprios ficarão encarregados de contar essa história, em total interatividade com a Expedição.”

Ou seja: bancados por uma montadora, eles trabalharão para ela usando, para isso, as empresas jornalísticas que têm coragem de os abrigar.

Trecho do “projeto” revela claramente seu objetivo: “Em cada etapa da viagem, de aproximadamente uma semana em cada região do País, a Flexpedition Chevrolet levará jornalistas especializados em veículos, turismo, esporte ou aqueles de relacionamento com os patrocinadores, para conhecerem mais sobre seu próprio Estado.”

Mais: “Cada veículo da expedição levará dois ou três jornalistas em roteiros pré-estabelecidos, terminando com uma grande festa com convidados de interesse regional das empresas patrocinadoras, como concessionários, autoridades, etc (sic). Promover um “acontecimento local” nas largadas e chegadas, provocando conseqüentemente retorno de mídia.”

Precisa falar mais alguma coisa? Deixo a caixa de comentários aí abaixo falar (seja por quem exige decência, seja por quem mama em virtude falta dela).


O custo de um carro inclui verba para puxar saco de jornalista

Quarta-feira, 20 Agosto 2008

Amigo leitor, você sabia que, quando um novo modelo de um automóvel é lançado, é comum que as montadoras paguem dias de descanso para jornalistas em hotéis de luxo pelo mundo?

Você sabia que todo fim de ano, empresas como Ford, Volkswagen, Fiat e GM têm o hábito de realizar festas com a presença de jornalistas? E que não é incomum que, nessas festas, aconteçam sorteios de carros, televisores e CD players? Tudo só para o “pétit comitée” da imprensa.

Você sabia que nem todas as empresas jornalísticas obrigam o profissional a devolver estes brindes? E você sabia que, embora isso não necessariamente influencie no teor da reportagem produzida, eventualmente há repórteres que fazem questão de fazer uma cobertura só por causa dos presentinhos?

Tudo isso (viagens, carros, televisores, etc) é pago pela montadora de automóveis, que classifica este tipo de ação como “despesa de marketing”, ou “custo de comunicação”, ou, ainda mais escancarado, “verba de propaganda”.

Essa “despesa”, “verba” ou “custo” não cai do céu. Para gastar dinheiro, a montadora precisa ganhar dinheiro. E é assim que o jabá do jornalista vai parar o custo final do automóvel. No final é você, leitor, quem paga a festinha deles. Essas ações podem ter uma participação pequena no custo final do carro, mas elas estarão lá.

Quando encontrar um jornalista na rua, sinta-se à vontade para tratá-lo da mesma forma que você trataria um político. E não se preocupe, jornalista honesto é igual político honesto. Ambos se envergonham pela sujeira que seus pares deixam por aí.


Mau comportamento de coleguinhas já cria ‘protótipos’ de jabazeiros no berço

Terça-feira, 12 Agosto 2008

Parabéns, vocês conseguiram. Ao comemorar abertamente algo que deveria ser motivo de vergonha, os jornalistas que adoram ganhar “mimos” das assessorias de imprensa conseguem estimular coleguinhas a saírem da universidade já com a ética manchada. Pior: de novo, a galerinha da tecnologia. Hienas que disputam iPods e telefoninhos da moda, coisa banal, que qualquer jornalista poderia comprar. Mas de graça é mais gostoso, parece.

Nojo. Começou bem na profissão, garoto.


Você já pensou em ir a Manacaparu? Convidado, o Estadão foi…

Terça-feira, 12 Agosto 2008

Você já pensou em ir a Manacaparu, este destino turístico promissor e indispensável? O Estadão quis. Quis não, aceitou um convite da Companhia Têxtil de Castanhal. E cravou dois abres de página no caderno de Turismo de hoje.

Um excelente serviço para a prefeitura da cidade, que aposta no Festival da Ciranda (mais uma variação do desfile de escolas de samba do Carnaval + boi de Parintins) para colocar a cidade no mapa. E para a companhia têxtil, claro.

A 70 km de Manaus e com 70 mil habitantes, fica aí uma dica para suas próximas férias.


A tropa de elite do bem

Quinta-feira, 7 Agosto 2008

As pessoas que entenderam o espírito deste blog já estão ajudando o jornalismo a ficar com menos cheiro de esgoto.

Obrigado aos colegas que repassaram novas informações de almoços ou viagens (em breve, de acordo com o calendário, elas entrarão aqui). Conto com a ajuda de todos para derrubar a esquadrilha de aproveitadores que tomou conta da nossa profissão.

Neste momento, disparei uma série de e-mails convidando companheiros comprometidos com a ética jornalística a entrar nessa campanha.

Volto logo.


Jabazeiros questionam anonimato… Vale tudo para continuar mamando

Quarta-feira, 6 Agosto 2008

Alguns leitores e jornalistas questionam o fato do autor deste blog preferir manter o anonimato, escondido pelo pseudônimo. Já li que, uma pessoa que defende a ética, precisa mostrar a cara.

Balela. O anonimato e o pseudônimo são procedimentos perfeitamente compatíveis com o propósito deste blog. O autor dos textos é irrelevante. Aqui, as informações se sustentam sozinhas.

Se querem derrubar o ‘Jabá, não’, que venham dizer que os emails e listas que eu reproduzirei aqui são inverídicas. Por que não tentam? Ou que argumentem de outra forma, provando não é imoral aceitar agrados de partes interessadas em influenciar a cobertura.

A verdade é que, para o jabazeiro, vale tudo para continuar mamando.


Bondinho da informática

Quarta-feira, 6 Agosto 2008

Mais uma barca do “tudo grátis para jornalistas” está prestes a zarpar: agora é a Nvidia, que em seu site oficial se apresenta como “uma das grandes líderes mundiais do mercado de processadores gráficos e multimídia”, quem levará “profissionais” de imprensa para um passeio nos EUA.

A empresa trabalha com unidades de processamento gráfico, processadores de mídia e comunicações e processadores multimídia para dispositivos sem fio.

Portanto, fique atento (vamos ajudar por aqui, informando sobre os veículos que aceitaram o convite) com reportagens à respeito do evento “Nvision 2008″. Você já sabe, de antemão, que jornalistas estão sendo adulados e levados ao local da exposição, o que afronta gravemente diversos princípios da profissão.

Abaixo, o e-mail que convoca os destinatários a um lamentável passeio rumo à lata de lixo da ética.

<p>
From: XXX XXXXX [mailto:XXXXX@XXXXX.XXX]
Sent: terça-feira, 29 de julho de 2008 XX:XX
To: XXXXXX
Subject: CONVITE ESPECIAL: NVISION 2008
Importance: High

Informações para a Imprensa:

XXX XXXX

IMS Brasil

(11) 3047-XXXX


NVIDIA CONVIDA VOCÊ PARA O MAIOR EVENTO SOBRE O MUNDO DA COMPUTAÇÃO VISUAL

A NVIDIA CONVIDA VOCÊ a visitar o NVISION 2008 (www.nvision2008.com) – um mega-evento de três dias que reunirá profissionais, acadêmicos, artistas, estudantes, investidores e consumidores interessados nas novidades sobre Computação Visual.

A COMPUTAÇÃO VISUAL é a nova tendência no mundo da tecnologia, que está alterando drasticamente o modo como as pessoas e as empresas interagem com os computadores. As novas tecnologias de computação visual estão revolucionando PCs, servidores, notebooks, celulares, bens eletrônicos de consumo e todos os principais aspectos da vida digital, da pesquisa científica e do ambiente corporativo.

O NVISION 2008, que acontece entre os dias 25 e 27 de Agosto em San Jose, no coração do Vale do Silício, trará uma variedade enorme de atrações e informações – da maior Lan Party do mundo até o Primeiro Congresso de Empresas Emergentes em Computação Visual; da final mundial da ESWC a Conferências Técnicas realizadas pelas melhores Universidades e Centros de Pesquisa do planeta.

PORQUE VOCÊ NÃO PODE FICAR DE FORA?

Confira algumas das principais atrações do NVISION 2008 (Veja a programação completa em www.nvision2008.com/events.cfm):

GeForce LAN: A NVIDIA tenta entrar para o Livro dos Recordes Guiness com a maior LAN Party já realizada no mundo. Milhares de gamers de todo o mundo participarão, durante 3 dias, de campeonatos, premiações e atividades.

NVScene: O maior encontro já realizado de entusiastas da demoscene, machinina e arte digital, que demonstrarão o que existe de mais inovador e revolucionário na união entre arte e tecnologia, com exposições, competições e workshops de alguns dos mais criativos artistas digitais do mundo.

Final mundial da ESWC: A Olimpíada dos videogames chega a sua etapa final durante o NVISION 2008, quando os melhores gamers de 53 países, incluindo o Brasil, disputam por fama, glória e milhares de dólares em prêmios.

Emerging Companies Summit: Mais de 60 empresas emergentes, todas trazendo soluções revolucionárias que aproveitam o vasto poder computacional das GPUs voltadas para grandes corporações, SMB e consumidores, encontram-se pela primeira vez para demonstrar como a computação visual irá remodelar o futuro.

Palestras Especiais: Empresas como NVIDIA, Microsoft, BMW, Mental Images, Futuremark, Epic games e várias outras apresentam palestras e mesas-redondas sobre como a computação visual afeta profundamente a indústria do futuro. Professores e pesquisadores de grandes centros acadêmicos como a Universidade de Maryland, Universidade do Colorado, Universidade de Illinois e Universidade Jaime I (Espanha) demonstram como as tecnologias de computação visual estão revolucionando a pesquisa científica e auxiliando na busca pela cura de doenças como câncer e AIDS, na exploração de petróleo e gás, nas pesquisas sobre clima e meio ambiente e no desenvolvimento científico em geral.

Video Games Live: Após lotarem eventos ao redor do mundo desde 2005, a equipe do Video Games Live realiza um concerto especial no San Jose Center for the Performing Arts, com uma orquestra tocando ao vivo os maiores sucessos dos videogames.

Convidados Especiais: Incluindo executivos, cientistas, cineastas e celebridades, incluindo a estrela do seriado BattleStar Galactica, Tricia Helfer, o ex-astronauta Buzz Aldrin, a Comandante Eileen Collins da NASA, e muitos outros.

ENTRE EM CONTATO IMEDIATAMENTE para obter mais informações sobre o evento, opções de viagens e confirmar sua participação:

ZZZXXXXX  -

(11) 3047-XXXX

(convite válido para 1 repórter por veículo)

Contamos com a sua presença!


Mas por quê não?

Terça-feira, 5 Agosto 2008

Da Wikipedia:

A Ética Jornalística é o conjunto de normas e procedimentos éticos que regem a atividade do jornalismo. Ela se refere à conduta desejável esperada do profissional. Portanto, não deve ser confundida com a deontologia jornalística; ligada à dêontica, a deontologia se refere a uma série de obrigações e deveres que regem a profissão. Embora geralmente não institucionalizadas pelo Estado, estas normas são consolidadas em códigos de ética que variam de acordo com cada país.

Algumas relações entre jornalistas e os assuntos de suas matérias chegam a ser promíscuas, principalmente quando as fontes e personagens oferecem benefícios materiais em troca de exposição na mídia, publicidade ou elogios. Na maior parte das vezes, porém, este tipo de “propina” ou “suborno” ocorre tacitamente, veladamente, para evitar que alguma das partes seja formalmente acusada. Uma maneira comum de oferecer esta troca é enviar presentes ao responsável pela matéria. No Brasil, esta prática de suborno implícito é chamada pelo jargão jabaculê ou simplesmente jabá.