Você, que é consumidor de notícias na imprensa tradicional, pode não saber, mas está cada vez mais recorrente a prática da iniciativa privada de pagar todas as despesas de jornalistas em viagens nababescas que, depois, têm como resultado a publicação de matérias favoráveis em seus respectivos veículos.
Falo especificamente das editorias de carros/veículos e turismo. Sem qualquer noção profissional (ou mais grave, de vergonha na cara), jornalistas têm bancados seus gastos de hospedagem e alimentação, como se isso não fosse ter implicação alguma na necessária isenção que separa o jornalista do farrista.
Mais: muitas vezes ganham diárias e presentes, uma relação nefasta e que deveria redundar, imediatamente, no desligamento sumário da folha de pagamento de uma empresa que tem no jornalismo seu pilar maior de credibilidade.
O próximo escadaloso trem da alegria já está programado: é da montadora GM, que levará jornalistas ao México para o lançamento de um novo veículo. Prometo aqui publicar, em breve, a relação de todos esses “profissionais” que envergonham o jornalismo.
Trata-se de iniciativa de utilidade pública, já que você, como leitor/telespectador/ouvinte, poderá reclamar, até mesmo no patamar de diretoria dos veículos de mídia, qual isenção pode existir quando um jornalista é pago para escrever sobre um produto. Vamos, também, comparar as reportagens
A cultura do jabá, disseminada no jornalismo, atende a um pequeno grupelho de pseudojornalistas que enxergam na profissão um status (e uma necessidade de adulação) absolutamente inexistente.
O consumidor de notícias têm o direito de saber quem o engana com “reportagens” que só interessam às empresas que pagam as benesses do jornalista.
O jornalismo só é bom de verdade se o jornalista sabe fazê-lo em seu quintal. Aos que consideram que a profissão só é nobre em viagens fora do país, fiquem atentos: vocês aparecerão todos aqui, com nome, sobrenome (e, quando possível, foto).
Escrito por antijabacule